ECOSOC - Oficina de Ecologia e Sociedade
IV Encontro de Ecologia Política
Territórios e Resistência
23-25 de maio de 2025 (Coimbra) || 30-31 de maio e 1 de junho de 2025 (Lisboa)
A Rede de Ecologia Política convida à participação no IV Encontro de Ecologia Política, sob o mote “Territórios e Resistências”, que decorrerá nos dias 23 a 25 de maio, em Coimbra, e 30, 31 de maio e 1 de junho, em Lisboa.
As fronteiras do capitalismo avançam e aumentam a procura de novos territórios para a acumulação de riqueza e de poder. Perante a destruição de territórios e das suas comunidades humanas e não humanas, vemos surgir um pluriverso de resistências em defesa da vida. Das aldeias do Barroso contra as minas, ao Alentejo perante o cerco das monoculturas, às lutas pela habitação e contra a violência policial nas cidades, as populações resistem ao extrativismo predatório e procuram fazer viver os seus territórios. Dessas e outras lutas, surgem máximas sobre a centralidade do território como conceito e prática. Dizem-nos que “o território é a dignidade, e isso não tem preço" ou que “o território é a vida, e a vida não se vende, se ama e se defende”, sugerindo que território vai além da sua assunção hegemónica.
Neste Encontro, procuramos desafiar e confrontar as narrativas e as práticas dominantes de território como ‘propriedade’ ou ‘recurso’ a ser controlado, colonizado, desenvolvido, explorado e sacrificado. Olhar para os territórios enquanto espaço geo-político-económico permite-nos entender as dinâmicas extrativistas do capitalismo, ao mesmo tempo que nos possibilita avançar entendimentos e práticas alternativas dos/sobre/com os territórios. Queremos olhar para o(s) território(s) como lugares de organização coletiva e de resistência(s), como forma de recriar a cultura e a relação entre pessoas e as ecologias não-humanas que as sustentam. Os territórios terrestres, rurais e urbanos, mas também os marítimos (‘maretorio’), os digitais, os virtuais e os ideológicos. Território não como espaço físico fora de nós, mas enquanto corpo que liga as vivências - assim como as violências - entre o nosso entorno e o nosso ser. Procuramos também entender as diferentes formas de resistência, humana e não-humana, a sua ‘ecologia’ (como interagem entre si), reflexões de territorialidade, e as possibilidades de se tornarem formas de re-existência, de fazer territórios de vida, de criar novas utopias e futuros possíveis. Para além disso, queremos também entender os territórios de violência, de re-patriacalização e de re-colonização e os múltiplos contextos da produção de ausências dessas resistências, num contexto de exaustão dos corpos-territórios. A nossa intenção não é essencializar o território como a escala predileta de análises e de ação política, mas expandir o entendimento próprio do que é um território - a sua relevância, limitações, contradições e potencialidades para as resistências e re/existências político-ecológicas.
O Encontro é organizado por um coletivo emergente de grupos e pessoas constituídas na Rede de Ecologia Política, que inclui: o Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, por meio da Oficina de Ecologia e Sociedade (ECOSOC) e com apoio do projeto TRANS-Lighthouses; o Centro de Investigação en Antropologia e Saùde; o Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA); o ISCTE- Instituto Universitario de Lisboa; o Instituto de Ciencias Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL); o grupo de investigação Ambiente, Território e Sociedade (SHIFT) da UL; a Malha Cooperativa; e o Jornal MAPA; além do apio e colaboração de outras instituições e coletivos incluindo o Núcleo de Antropologia Visual da Universidade de Coimbra, a Real República de Bota-Abaixo, a República dos Inkas, a Cooperativa Rizoma, Coletivo à Mesa, e o coletivo La Salsa del Pueblo.
O Encontro aspira ele próprio ser um território de sentir, pensar e agir juntes para trocar conhecimentos e potenciar colaborações e sinergias entre territórios, movimentos, lutas e resistências, dentro e fora da academia, incluindo ativistas e comunidades locais. Para isso, incluimos no Programa uma diversidade de propostas académicas, artísticas, de organizações cívicas e de movimentos sociais, incluindo comunicações, oficinas, rodas de conversa, filmes, exposições fotográficas, e outras intervenções criativas.
A participação é gratuita e não precisa de inscrição (exceito para 3 atividades puntuais, especificadas no programa).